O Parlamento das religiões
Dezembro 12, 2008
O parlamento das religiões foi criado em 1893 e foi a primeira instituição divina de Baha’u’llah. O símbolo oficial do parlamento é uma estrela de nove pontas, mas por algum motivo misterioso (que sabemos muito bem qual) o símbolo foi retirado do site recentemente. Somente em raras oportunidades ele poder ser visto no site oficial. O parlamento das religiões está acima do Conselho Mundial de Igrejas. Após a revelação de Baha’u’llah o Papa será o líder do parlamento. Essa recomendação foi ordenada por Baha’u’lláh e está escrita na Epistolo enviada aos cristãos abaixo:
“…Anuncia tu aos sacerdotes: Eis! Veio Quem é o Governante! Que saias detrás do véu em nome do teu Senhor, Aquele que faz prostrar todos os homens. Proclama, então, à toda humanidade as boas novas desta grande, desta gloriosa Revelação…”
O Parlamento das religiões
A história de um dos documentos mais importantes do final do século XX, contada por um de seus principais criadores.
1.Em primeiro lugar, esta deveria ser uma declaração das religiões, que poderia mais tarde
ser seguida por uma declaração geral (como, por exemplo, no âmbito da UNESCO).
2.Numa declaração para uma ética mundial, o foco não poderia incidir sobre o plano das
leis, direitos codificados e parágrafos recorríveis (como no caso dos direitos humanos,
por exemplo), ou no plano político, de sugestão de soluções concretas (como na crise da
dívida do Terceiro Mundo), mas apenas no nível ético: o âmbito dos valores agregativos,
padrões irrevogáveis e atitudes interiores fundamentais. É claro que esses três níveis
estão relacionados entre si.
3.Houve sugestões para tornar a declaração mais “religiosa”. Contudo, novas dificuldades
resultariam daí. Se, por exemplo, falássemos “em nome de Deus”, a priori excluiríamos os
Budistas. Além do mais, não há consenso sobre a definição do que é “religião”. Em todo
caso, referi-me claramente à dimensão da transcendência, sem forçar a anuência dos
não religiosos, que esta declaração deve incluir.
4.Por outro lado, houve sugestões para tornar a declaração menos “religiosa”. Contudo, se
as religiões, em essência, apenas repetissem os princípios da Declaração dos Direitos
Humanos das Nações Unidas, tal declaração se tornaria supérflua; uma ética é mais do
que um conjunto de direitos. É claro que nossa Declaração para uma Ética Global pode
ser um apoio ético à Declaração dos Direitos Humanos da ONU. De fato, é totalmente
desejável que a UNESCO ou a ONU, assim que possível, também apresentem uma
Declaração para uma Ética Global.
5.A declaração deve ser capaz de produzir consenso. Portanto, devem-se evitar
afirmações que a priori seriam rejeitadas por uma das grandes religiões e,
conseqüentemente, questões morais controvertidas (como aborto ou eutanásia) tiveram
de ser excluídas.
6.Esta deve ser uma declaração formulada em linguagem amplamente compreensível, o que
evitará argumentos técnicos e jargões, e passível de tradução em diversos idiomas.
Parece-me ser mais compreensível começar com definições negativas e, em seguida,
mudar para afirmações positivas.
Esta declaração foi assinada pela maioria dos quase duzentos delegados das religiões
mundiais que participaram do Parlamento das Religiões do Mundo, ocorrido no centenário do primeiro Parlamento Mundial das Religiões, em Chicago, em 1893. O Parlamento das Religiões do Mundo de 1993 (com a participação de 6.500 pessoas) ocorreu entre 28 de agosto e 4 de setembro de 1993 em Chicago, e esta declaração foi solenemente proclamada em 4 de setembro de 1993.
Considerações explicativas – O mundo está experimentando uma crise fundamental: a
crise na economia global, na ecologia global e na política global. A falta de grandes visões, o emaranhado dos problemas não resolvidos, a paralisação política, lideranças políticas
medíocres com pouca visão interior e exterior e, em geral, muito pouco senso de bem comum são vistos por toda parte. Há muitas respostas antigas para novos desafios.
Centenas de milhões de seres humanos em nosso planeta sofrem cada vez mais com o
desemprego, pobreza, fome e a destruição de suas famílias.
1.Nenhuma ordem mundial melhorará sem uma ética global
Nós, mulheres e homens de várias religiões e regiões da terra nos dirigimos aqui a todas as
pessoas, religiosas e não religiosas, pois compartilhamos as seguintes convicções:que todos somos responsáveis por uma ordem mundial melhor(…)
Depois de duas guerras mundiais, do colapso do fascismo, nazismo, comunismo e
colonialismo, e do fim da guerra fria, a humanidade entrou numa nova fase de sua história.
Ela tem hoje suficientes recursos econômicos, culturais e espirituais para instaurar uma
ordem mundial melhor(…) Muitas pessoas estão ameaçadas pela ruína econômica, desordem social, marginalização política e pelo colapso nacional. Em tal situação crítica, a humanidade não precisa apenas de ações e programas políticos, mas também de uma visão de convívio pacífico entre as pessoas, grupos étnicos e éticos e religiões; precisa de esperanças, metas, ideais, referências(…)
Baseados em experiências de vida pessoal e na história opressiva de nosso planeta
aprendemos: que uma ordem mundial melhor não pode ser criada ou, efetivamente, respeitada apenas por meio de leis, prescrições e convenções; que a realização da justiça em nossas sociedades depende do discernimento e da prontidão para agir justamente; que ações em favor de direitos presumem uma consciência de dever, e que, portanto devemos nos dirigir tanto às mentes quanto aos corações das mulheres e homens; que direitos sem moralidade não podem durar muito, e que não haverá uma ordem mundial melhor sem uma ética global.
(..) Por ética global entendemos um consenso fundamental sobre valores unificadores, patamares incondicionais e atitudes pessoais. Sem tal consenso ético básico, qualquer comunidade será cedo ou tarde ameaçada pelo caos ou ditadura.
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